quinta-feira, 6 de janeiro de 2011














Ainda era manhã , no dia 24 de dezembro quando minha mãe me convidou para ir a um restaurante que ela havia gostado. Conosco , uma tia muito querida (não de sangue, mas de coração) , a tia Otilina. Posso dizer sem medo de errar que é a melhor amiga dela.Quando entrou no carro trazia os filhos, 3 pequeninos.
As crianças eram novidade em nosso passeio, afinal tia Otilina é a companheira fiel de minha mãe para as tardes de sábado ou domingo, ouvindo algum som Mpb e bebericando uma Bohemia gelaaaaaaada.
As duas nunca conseguiram passar de 3 cervejas, motivo de piada (delas mesmas). Houve um tempo que a preferência era coquetel de frutas. Mamãe no segundo já estava rindo a toa. Sempre fui uma vez ou outra. É divertido ouvir histórias contadas por elas. Os romances e aventuras adolescentes mais estão pra filme de comédia.
Depois de alguns minutos, chegamos ao destino , que era bem mesmo a cara da minha mãe. Nunca vi pessoa pra gostar tanto de uma rede, comida caipira e alpendres de palha. O som de galinhas "cocoricando" ficavam ao fundo da música de Gil. Matheus, um dos filhos de tia Otilina começou a chorar :

- Ele não gosta de Gil, querida.
- E de que ele gosta, Tia?
- Tenta um Djavan.

Matheus foi a primeira criança que ela adotou, é especial, não somente por suas limitações. Ele é autista em grau bem avançado, porém, expressa seus sentimentos de um jeito extremamente curioso.
Uma das coisas mais incríveis que sempre observei no comportamento dele é que aprecia a música de maneira insaciável . Se ela parar, ele fica zangado . Consegue acompanhar o ritmo com a palma da mão (batendo no chão ou qualquer objeto próximo) e chora um choro verdadeiramente sentido quando o som não lhe agrada.
Chego a pensar que se ele tivesse baquetas a mão , imediatamente se transformaria em um verdadeiro mestre de bateria.

Logo depois veio Daniela, a quem não conheço a fundo. As únicas coisas que posso ressaltar em seu comportamento é que é uma garota bastante curiosa, de personalidade forte e que não perde uma novela. Pergunte a ela a cor da blusa da mocinha da novela das 6 no capítulo de terça da semana passada e terá a resposta.

Por último, veio Samuel, o Samuca. Um pequeno de 3 anos, portador da síndrome de Down. De "Down" ele não tem nada.Promete arrasar o coração de muitas moçoilas em breve. É tão esperto e tão malandro que faltam-me palavras para descreve-lo. Talvez siga a carreira de comediante, com tal constatação você pode imaginar o perfil da coisinha.

Conviver com Tia Otilina , com a história dela e ver quanto tempo e carinho dedica aos seus filhos de coração me fez refletir por diversas vezes.Voltei aquela velha teoria de que existem sim anjos na terra. Des de que me entendo por gente , ela esteve presente. Me disse ao longo dos anos coisas importantes, que levarei pro resto da vida. Ensinamentos importantes.
Colocou em meu rosto os seus óculos de grau, mostrando o quanto podemos ser felizes, se amamos.



3 comentários:

  1. concordo com o Matheus, também prefiro Djavan a Gil.
    E sim, o amor e anjos na terra existem, melhor ainda é ter um exemplo na família. =P

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  2. anjos e amor existem sim ! eu já os vi de perto ^^
    você é especial por ter podido ver tbm, e ainda mais por tê-los em sua família =)

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  3. "motivo de piadas (delas mesmas)" hahaha!

    gosto de como voce articula as palavras, e sempre acha a certa pra incrementar suas descrições. muito bom o texto, flor. tem pouca gente tipo sua tia, e as vezes é dificil acreditar que elas existam mesmo.

    beijos!

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